Diana Vishneva se despede do American Ballet Theatre

Diana Vishneva e Marcelo Gomes em A Bela Adormecida com o American Ballet Theatre. Foto de Gene Schiavone


Diana Vishneva não vai deixar o American Ballet Theatre (ABT) sem um plano. Está saindo do ABT porque tem muitos planos. O que ela não tem? Tempo.

Quando Diana dançar "Onegin" na noite de sexta-feira para sua despedida do ABT, ela deixará para trás uma marca de memórias na dança. Uma bailarina apaixonada e com alma, Diana explodiu na cena de Nova York como se fosse de outro mundo - embora, tecnicamente, ela seja de São Petersburgo, na Rússia. No começo de sua temporada em Nova York, ela dançou "Rubies" de George Balanchine como se fosse uma bailarina em chamas.

Depois de dançar como artista convidada em "Romeu e Julieta" em 2003, Kevin McKenzie, diretor artístico do ABT, ofereceu a Diana, que era primeira bailarina do Kirov - agora conhecido como o Mariinsky - um contrato. Ela se tornou primeira bailarina do ABT em 2005. Mas Diana também adotou a vida de artista convidada, dançando com muitas companhias ao longo dos anos, incluindo o Bolshoi, o Balé da Ópera de Paris e o Berlim State Ballet.

Diana, agora com 40 anos, não vai parar de dançar, mas está à procura de novas formas desse apresentar. Em agosto, ela abrirá um estúdio em São Petersburgo, onde, juntamente com o treinamento de balé clássico, oferecerá yoga e ginástica para profissionais e não profissionais.

Ela também usará o espaço para ajudar a criar novos coreógrafos, que expandirão seu trabalho com o Context, um festival de dança que ela iniciou há cinco anos e estará em Moscou e São Petersburgo em novembro. Ela recebeu a Martha Graham Company em 2011 (sua primeira vez na Rússia) e espera trazer o ABT este ano. Diana, que recentemente deu uma entrevista sobre sua carreira em seu camarim, pode estar precisando de uma infusão de Nova York quando chegar esse momento.

A seguir, trechos da entrevista.

Por que você está saindo do ABT?
Minha geração já partiu e, em algum momento, você entende que essa pode ser a hora de você começar uma nova página de sua vida. Adoro estar aqui, mas consome muito tempo e energia, então decidi, neste momento, já que o tempo não espera, que prefiro gastá-lo em novos projetos.

Você tem casa? Onde você mora?
Em um avião. [risos] Dependendo dos projetos, meu cronograma varia. Às vezes, é mais na América. Às vezes, é mais na Europa ou em casa. Quando você fica no mesmo lugar, você se acostumar com a rotina e fica chato. Então, quando você se muda para uma companhia ou um país diferente, você recebe uma dose de adrenalina. Está reiniciando de alguma forma.

Você gosta disso?
É muito importante encontrar um novo estilo ou nova coreografia ou uma nova produção que não fiz antes. Então eu me tornei convidada em todos os lugares! [risos] Eu não me aprofundo no que está acontecendo em uma companhia específica; trocando de lugar, sinto liberdade para o desenvolvimento artístico.

É também para que você não fique presa na política da companhia?
Sim. Quando algo começa a ficar, não bagunçado, mas me afetando, posso dizer: "Acabei por aqui". [risos]
Eu ganhei esse status e posição. Eu não consegui só porque sou ótima em conversar. Consegui por causa de todo o trabalho que dediquei e o que mostrei no palco. Tenho isso desde minha infância, pois fui treinada na Rússia. Infelizmente, na nova geração, nem todo mundo tem essa diligência.

Por que não?
Talvez porque, na minha geração, tivemos algo para conquistar, alcançar. Talvez fosse concorrência. Era muito difícil chegar a um nível profissional porque você estava cercado de bailarinos incrivelmente bons. Eu não queria ser apenas bailarina, queria possuir e usar a linguagem da arte.

O que você acha do treinamento de balé hoje?
O mundo é diferente, a vida é diferente e as crianças são diferentes. Quando eu vou ver minha professora, fico chocada com o fato de que, hoje em dia, o professor tem de repetir as instruções... 10 vezes, 20 vezes.
Na minha geração, você era instruído uma vez. Tentávamos repetidamente. Agora, eles só ficam parados, olhando. Não sei o que eles têm na cabeça. Tínhamos medo de nossos professores e, ainda assim, achávamos que eles eram deuses e nós os amávamos. Agora, temos a sensação de que os professores dependem dos alunos.

Isso é verdade só na Rússia?
Não, está em toda parte.

Nesta temporada no ABT, não temos as estrelas internacionais de sempre. Como você se sente quanto a isso?
Obviamente, há uma chance para os bailarinos da companhia crescerem e conseguirem papéis que não conseguiriam necessariamente. Mas deve haver um equilíbrio entre o local e o convidado. Isso dá um novo toque, um novo potencial para os balés.

Um foco importante para você no futuro será o seu festival. Qual estava o clima da dança quando você iniciou?
[Sorrisos] Foi um pouco controverso. Eu sou do mundo clássico e estou fazendo algo contemporâneo e criei um festival e por que ela está fazendo isso? Por que razão? Ela é clássica! Agora está absolutamente interligado, mas antes eram paralelos. Ninguém lembra por que foi controverso. [risos]

Do que você vai sentir falta em relação ao seu partner de costume no ABT, Marcelo Gomes?
Não é possível sentir falta do Marcelo. Nós continuaremos. É muito raro isso acontecer com um partner, essa conexão inacreditável, essa química.
Não tenho a sensação de que estou dando adeus ao ABT. Sei que tenho que partir e sair do sistema. Quando alguém diz "estou cansado", eu digo "bem, você nunca trabalhou no ABT. Tente ir lá. "

Nova York é uma cidade difícil, não é?
Sim. [risos] E mentalmente, psicologicamente, emocionalmente, nem todos podem resistir a essas condições. Então, quando você está de pé lá em frente ao público – um público grato e e maravilhoso agradecendo pela sua performance –, você passou pelos ensaios e toda a pressão. A sensação de estar em frente a essa plateia agradecida é enlouquecedora. Você quase sente que fez algo incrível. A gratidão que você ganha da platéia é muito diferente na América.

Como assim?
Aqui, as pessoas são muito abertas. E essa abertura e gratidão dão a você uma liberdade inacreditável para se abrir para elas. Mas você não sente isso em nenhum outro lugar. Só sente isso aqui.

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